Preço do plano de saúde: por que meu plano custa mais?

Já parou para pensar por que o preço do plano de saúde que você contratou é mais caro que outros? Para entender o que leva um produto a ter um determinado preço, é necessário, primeiramente, conhecer as variáveis que determinam seu valor, que são, basicamente:

  • Quantas vezes a pessoa pode precisar usar o plano
  • Quais serviços ela possivelmente utilizará
  • Quanto o prestador de serviço vai cobrar da Operadora por cada atendimento
  • Quanto custa para a Operadora administrar este plano

Sobre as variáveis que determinam o preço do plano de saúde

A utilização do plano depende não só do comportamento individual de cada pessoa, mas também de mecanismos adotados pela Operadora, como coparticipação e autorização prévia. Além disso, quanto maior a rede de prestadores de serviços, mais fácil é o acesso das pessoas e, consequentemente, maior a probabilidade de uso do plano de saúde.

Sobre quais serviços serão utilizados por cada pessoa, considera-se uma cobertura limitada ao rol de procedimentos mínimos determinada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS e, a partir de uma análise estatística, é possível prever quanto destes serviços serão realizados para um grupo de pessoas vinculadas ao plano de saúde, sendo este risco dividido entre todos de forma igual, diferenciado apenas por faixa etária.

A remuneração da Operadora aos prestadores por cada serviço realizado depende da qualidade dos serviços oferecidos e do poder de barganha da Operadora na negociação destes valores. Entretanto, essa remuneração também pode ser afetada pelo monopólio de hospitais e laboratórios em algumas regiões.

Já os custos administrativos da Operadora, como: custos de pessoal, comercialização, manutenção de estrutura, serviços terceirizados e outros - exceto questões tributárias - dependem da gestão interna de cada uma.

Dados utilizados para cálculo de preço do plano de saúde

A análise de alguns indicadores públicos pode contribuir para explicar o preço do plano de saúde, como:

  1. Sinistralidade: indica a relação entre as despesas geradas diretamente pela assistência à saúde e a receita de mensalidades do plano. Se uma Operadora apresenta um índice de sinistralidade menor praticando um preço inferior, isso significa que o custo assistencial dela deve ser muito menor. Ou seja, a utilização dos serviços deste plano é bem menor que na sua Operadora, ou o valor pago aos prestadores de serviços está abaixo da remuneração da Operadora - seja por negociação com a rede de prestadores ou por oferecer uma rede menor/menos qualificada.
  2. Índice de despesas administrativas: representa quanto da receita das mensalidades do plano é destinado para cobrir as despesas com estrutura, folha de pagamento e outras despesas administrativas. Operadoras com maior número de clientes conseguem diluir os custos de sua estrutura no valor de cada contrato. Já as Operadoras de menor porte, precisam manter uma quantidade mínima de profissionais e pontos de atendimento e isso pode impactar de modo mais expressivo os preços de seus produtos.
  3. Resultado: é possível que uma Operadora pratique preços inferiores sem que haja uma justificativa técnica para isso. Nesse caso, sua receita será insuficiente para suportar as despesas e isso vai gerar prejuízos. Geralmente, esse tipo de situação se manifesta em médio prazo, já que os primeiros meses de vigência dos contratos estão suportados pelos prazos de carência para início da utilização pelos beneficiários.

Esses indicadores podem ser facilmente consultados no anuário da ANS, onde estão publicadas as informações que as Operadoras enviam periodicamente à agência. Mas este documento é divulgado apenas no final do primeiro semestre de cada ano, sempre com informações do ano anterior.

Você trabalha em uma Operadora e deseja avaliar a situação mais recente de seus concorrentes? Nós podemos te ajudar! Aqui na Prospera nós apuramos estes indicadores trimestralmente, a partir da base de dados bruta disponibilizada pela ANS.


  Italoema Destro 
  Gestora Atuarial

 

 

 


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Data da notícia: 14/05/2019

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